gafes na TV

Programa é Suspenso pela justiça por mostrar cadáveres na hora do almoço

Deu no Comunique-se.

Aqui Agora, Cidade em Alerta, O Povo na TV…

Jacinto Fiqueira Júnior, o Homem do Sapato Branco

Pelo que me lembro, nenhum destes mostrava cadáveres na hora do almoço.

Pois bem, antes de continuar, veja o vídeo abaixo. Dura um pouco mais de um minuto.

O programa onde a reportagem foi ao ar se chama “Na Mira” e é veiculado pela TV Aratu, o SBT da Bahia. Pelo que fiquei sabendo, é normal durante o programa serem mostradas imagens de cadáveres vítimas de mortes brutais. Já mostraram corpos carbonizados, vísceras expostas, crânios esmagados e, pasmem, até um corpo de um atropelado enquanto este ainda estava embaixo de um ônibus.

As imagens são acompanhadas por um apresentador que fica gritando junto a uma voz que segue tratando de maneira jocosa das reportagens.

O grande detalhe: o Na Mira é veiculado, diariamente, às 12:40. Isso mesmo, na hora do almoço! E o programa é líder de audiência.

Nem vou falar de sensacionalismo, este programa ultrapassou os limites de ética, honra… Não pensam nos familiares das vítimas? Vendo os corpos de seus entes serem mostrados na TV?

O programa está há menos de um ano no ar, mas demorou para o Ministério Público tomar uma atitude. Nesta quinta-feira, 16 de abril, o MP ordenou a suspensão do programa com multa diária de R$10 mil em razão de descumprimento da ordem. Alguns falam que é censura, como o próprio apresentador.

Quem está censurando o bom senso são as pessoas que produzem um programa que suja o termo jornalismo.

Um professor que tive dizia: o sensacionalismo na TV começa quando a imagem não busca mostrar uma notícia, mas sim trazer emoção ao telespectador.

A notícia correu o Brasil. Leia o que saiu no Estadão.

Que sirva de exemplo para programas do mesmo nível.

O apresentador do Na Mira, Uziel Bueno, também saiu falando loucuras para a imprensa baiana. Leia aqui.

Ria (ou chore) com mais alguns vídeos deste “programaço”

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3 comentários em “Programa é Suspenso pela justiça por mostrar cadáveres na hora do almoço

  1. Bom dia!
    Essa é apenas a minha humilde opnião como cidadã. Espero que vocês possam ler e como adoro critica podem me mandar a sua opnião também.

    Na mira

    O programa Na Mira apresentado pela emissora de televisão Tv Aratu, as 13:00 , é realmente forte e passa imagens marcantes e as vezes até desnecessárias de forma sensacionalista. Porém, gostaria muito de saber qual o programa de televisão que não é sensacionalista ou marqueteiro na atualidade? Não seria hipocrisia proibir este programa sendo que as cenas apesar de exploradas para que possam chocar são reais, além de que o mesmo domina os recordes de audiência do horário, ou seja, mostra que a população convivente com esta violência não quer mais “vendas” e mesmo com esta forma de retratação apelativa tenta pedir “socorro”, pois a noite nas ruas das favelas a frase: Socorro meu Deus, eu não quero morrer ecoa pelo silêncio e ao amanhecer é conhecida mais uma vitima da guerra civil não declarada na qual estamos sobrevivendo, porém até quando?

    O juiz Manuel Bahia, que proibiu no dia 15/04 a exibição deste programa, acolhendo uma solicitação do Ministério Público Estadual (MP-Ba), afirmou que o programa “vislumbra-se facilmente com quadros chocantes, pavorosos, tétricos, macabros e dantescos” mas essas cenas não são filmadas em um estúdio e sim nas ruas, este é o real retrato da sociedade que não tem acesso a educação, a emprego, a dignidade, enfim a uma vida. É fácil para alguém que nunca viu de perto um corpo crivado de balas dizer que isto é apelativo mas os convido para dormir uma noite em uma das favelas mais violentas da cidade e vocês saberão o que essas pessoas passam. As crianças que as 13:00 estão assistindo ao programa já sabem o que é a violência pois os corpos ao amanhecer depois de fim de semana sangrento, por exemplo, estão na calçada aonde estas tem que passar para chegar as escolinhas. Uma criança de 8 anos de iniciais M.M, me disse com uma certa excitação que quanto ia para a escola teve que passar por cima de um corpo no Bairro de São Cristóvão pois a rua era estreita e não dava pra desviar, esta criança me disse que a vítima estava com os olhos abertos e que chegou a pisar no sangue pelo chão, o pior é que esta criança não viu pela televisão isto faz parte da vida deles e a proibição de um programa não mudará isto, apenas trata outra forma de abordagem e o ciclo sempre vai existir.

    Fica mais fácil calar um programa do que exigir mudanças das autoridades e da própria sociedade que prefere a omissão, pra quê mudar? A morte não foi na minha família, não era conhecido meu, eles não estão no meu bairro de luxo, pois nas minhas grades eles não podem escalar. Será que só a mim este programa choca e faz com que um sentimento de revolta se aflore no intimo da minha alma, será que só eu vejo aquele ser que esta morto ou agonizando em vias publicas como um ser humano, será que só eu acho que o correto não e “tapar o sol com a peneira” e sim abrir a janela e enfrentar a luminosidade mesmo que essa te incomode. Desculpe-me se posso parecer sentimental mas aquele ser que esta no asfalto, no esgoto ou no mato merece que nós tenhamos conciência da sua existência. Esta criatura tratada no programa como animal, já foi vitimada antes pela sua sociedade que nunca se importou consigo em vida.

    Gostaria de deixar claro que não faço apologia a este tipo de programa só não vou concentrar a minha energia na conseqüência do problema , gostaria de gastar o meu tempo na elaboração de formas de redução das causas deste. Vamos reivindicar melhorias na educação, vamos lutar por segurança e políticas publicas eficazes, vamos pessoalmente dedicar 30 minutos do nosso dia, uma vez por mês para elaborar um projeto e solicitar a um governante que o analise e verifique a possibilidade de por em pauta para votação, vamos parar de esperar que a ajuda venha dos outros pois nós mesmos não nos ajudamos. Porém aceitamos que o nosso atual Secretário de Segurança Pública diga: “Não há formas de se prevenir homicídio”, e nos sentimos impotentes em saber a resposta mas por comodismo ou omissão não a falamos. Mais uma vez peço desculpas, por parecer ser a única pessoa a não aceitar isto. Se não houvesse vitimas sangrentas não existiriam os “na mira da nossa televisão”. Entendo que o programa pode ferir as nossas leis arcaicas sustentadas por mp, mas nada poderá calar a voz de um pai que perdeu seu filho de 15 anos morto por traficantes ou uma mãe que chora copiosamente a morte do seu filho inocente no meio de uma importante avenida da cidade de Salvador, não podemos mudar o passado mas podemos comandar o nosso futuro.

    Daiane Oliveira, 19 anos, moradora da periferia, estudante de jornalismo da Faculdade Jorge Amado,

    22/04/2009, Salvador /BA

    A realidade de Salvador infelizmente é esta, e cabe aos pais decidirem o q seus filhos podem ou não assistir, mas ressalto que para as crianças q convivem com isto nas suas vidas não é chocante, nem apavorante, se torna engraçado ouvir o grito da coisa, e se torna comum ver o apresentador gritando com um de seus semelhantes pedindo provdências das autoridades sem palavriado burguês.

    1. Daiane, muito interessante a sua opinião. O que mais choca são justamente visões como a sua, da normalidade de se ver diariamente corpos estendidos no chão.

      Como estudante de jornalismo, você aprenderá que o sensacionalismo em uma matéria televisiva começa quando o objetivo da imagem deixa ser informar para começar a emocionar.

      Pense bem: não seria possível fazer todo o serviço que você diz o programa fazer sem mostrar as cenas impróprias?

      Pense nos parentes destas pessoas mostradas na TV. Você se sentiria totalmente confortável em ver um filho, um irmão, tendo seu corpo mostrado na TV depois de morto?

      Pense que estas matérias na TV do jeito que são feitas só geram mais violência. O modo que o programa é apresentado, com o apresentador ameaçando os bandidos de uma maneira viril, faz com que ele deixe a figura do jornalista para se tornar um repressor, o que só gera mais violência.

      Não se deixe levar pela violência de onde vive. É possível sim informar sem usar o sensacionalismo e ainda assim trazer muito serviço para a comunidade.

      Um abraço e valeu pela participação!

  2. Olá,
    gostaria de dizer que não precisa essas emissoras sensacionalistas de mer.., incluirem em seus quadros nada agradáveis essas imagens mais que pesadas em horários nada convencionais, para que a população saiba o que acontece, pois vemos isso nas nossas ruas.Isso é um total desrespeito não somente as famílias das vítimas, mas a toda à sociedade. Dizem que toda programação tem que ter uma classificação por idade, num funciona no SBT-BA e RECORD-BA não é?
    Daqui a pouco essas emissoras vão incluir SESSÃO PÔRNO no horário de almoço também, pois isso também acontece, e se comparada a dimensão do significado de um corpo em decomposição mostrado friamente pelo apresentador e um ato sexual entre duas ou mais pessoas de sexo oposto, o ato sexual é bem mais ético para assistir.
    Essa é minha opnião!

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