gafes em jornais

A Ditabranda da Folha de S. Paulo

Até agora, a Gafe do ano nos jornais. Em 17 de fevereiro último a Folha de S.Paulo publicou um editorial comentando a recente vitória de Hugo Chávez em um referendo na Venezuela, onde conseguiu poderes para se manter mais tempo no poder.

Ao comentar tal feito, a Folha cita que antes de Fujimori no Peru, os regimes totalitários eram feitos a partir de uma ruptura da gestão corrente. A partir do peruano, os novos ditadores entravam no poder de maneira legal para só então, por baixo do pano, impor o seu regime ditatorial.

Este primeiro momento citado no parágrafo acima, das rupturas, a Folha diz ser uma característica das Ditabrandas, ou seja, ditaduras não tão rígidas. Caso do Brasil.

Ditaduras brandas?

Senti vergonha do meu diploma ao ler o editorial.

Um professor já dizia que preferia o Estado de S. Paulo e outros jornais que assumiam editorialmente a sua postura, de direita ou esquerda.

Piores eram os jornais e outros veículos como a Folha, citada por ele na aula. Estes utilizam uma chamada de “democracia de opiniões” para impor uma visão política de modo a enganar seus leitores.

É Folha, que decepção.

Segue o editorial na íntegra:

Limites a Chávez

Editorial da Folha de S. Paulo publicado em 17 de fevereiro de 2009

Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder
O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.
Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.

Mas, se as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.
Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.
A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.
Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.
O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.
Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.

*** As fotos deste post são do jornalista Vladimir Herzog. Então diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog compareceu para prestar depoimento no dia 25 de outubro de 1975. Torturado, foi encontrado morto na posição da foto acima. Sua morte foi considerada suicidio pelo governo. Mas repare na foto: como uma pessoa se enforcaria com as pernas dobradas?

A morte de Herzog foi um dos fatores que iniciaram o processo de abertura política no Brasil.

E, pelo que podemos imaginar, suas últimas memórias não foram nada “brandas”.

Mais sobre a  vida de Vlado aqui.

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2 comentários em “A Ditabranda da Folha de S. Paulo

  1. Olá gafe da imprensa!

    Descobri o site quando procurava o editorial da folha de s.paulo que fala sobre a ditadura ter sido branda! (só na cabeça dele,né?) E acabei olhando os outros post e confesso que me diverti muuuuuuuuito com as gafes! uma pior que a outra! rsrsrs

    Parabéns pelo ótimo trabalho! ah, vou link o seu site no meu blog, certo?

    abraços!

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